Seminário continuado com Angela Valore: " A atualidade e o atual na clínica psicanalítica" sobre o Seminário 23 de Lacan: o sinthoma

Seminário continuado com Angela Valore: " A atualidade e o atual na clínica psicanalítica" sobre o Seminário 23 de Lacan: o sinthoma

A atualidade e o atual na clínica psicanalítica 
Há décadas vimos identificando apresentações clínicas que parecem desbordantes em relação ao universo conhecido da neurose, nas quais muitas vezes as atuações e “mostrações”, sempre implicando o corpo, são mais frequentes do que as formações do inconsciente, a ponto de  Lacan ter se referido a elas como fenômenos, que situou na zona de relação do acting out. Nas suas formas mais extremas tratadas frequentemente como montagens “de borda”, ou como “estados limite”, mas podendo muitas vezes parasitar uma existência aparentemente banal, tornam-se cada vez mais frequentes, e mais dificilmente dissociáveis da forma pela qual o sujeito contemporâneo “comum” descreve seu sofrimento hoje em dia. Estamos diante dos efeitos de uma atualidade deletéria quanto às condições que, no laço social sustentam o trabalho privado da transmissão da falta entre as gerações? A difícil passagem para a transferência em certos casos sugeriria tratar-se de um retorno maciço das neuroses ditas “atuais”, descritas por Freud? 
A falta de confiança no significante, a imagem colapsada, a inaptidão para o luto, as inibições… que lugar ocupam nessas condições as ditas disfunções do (-φ) e o que elas atualizam quanto ao que se passa com o Real, o Simbólico e o Imaginário? Fracassos da fantasia, falhas do intervalo significante, impasse entre o especular e o imaginário, tentativas de estabilização de um enodamento deficitário… onde situar o que tropeça nesses quadros? Fenômenos psicossomáticos, dependências químicas, diferentes impulsões, transtornos alimentares, crises de pânico, “depressões” cronificadas, formas variadas de astenias, auto-mutilações… é longa a lista de queixas que chegam aos consultórios em nossos dias, em vantagem sobre os clássicos sintomas histéricos e obsessivos. Como escutá-las? Que leitura a psicanálise nos permite fazer, e o que ela nos diz sobre a direção da cura nesses casos? 
Angela Valore

por: Letra - Associação de Psicanálise